A área de eventos do live marketing vem crescendo anualmente, graças a empresas que reconhecem que o seu uso potencializa – rapidamente e em bloco – o entendimento da mensagem que quer enviar e consegue se relacionar com seu público-alvo diretamente. E, através da experimentação e de uma narrativa criativa o convidado consegue ter uma experiência diferenciada e a memorização maior e duradoura da mensagem. Isso é comunicação. Para tanto, o Live Marketing faz grande uso de tecnologia e criatividade. E quem sai ganhando é o mercado e a sociedade.

Se as marcas fazem isso com eficiência, por que não as cidades e regiões para desenvolver o turismo?

Quanto mais ouço falar sobre Internet das Coisas, Projeção Mapeada, Imagens 3D, Realidade Virtual, Imagens Holográficas e outras tecnologias digitais aplicadas na produção de eventos eu me pergunto por que o mundo da Cultura, Eventos e Turismo aqui no Brasil não se unem para diminuir esse gap tecnológico e desenvolver mercado regional sem polarização Rio-São Paulo.

Há aproximadamente cinco anos, iniciei estudos para trabalhar numa área que gosto muito: Arte, Cultura e Evento que é o mundo do Marketing Cultural. Esse estudo que apenas está no início já renderam alguns trabalhos e resultados interessantes. Somado ao Marketing Cultural, já trabalhava em Marketing de Destino, cujo objetivo era atender a demanda de determinadas localidades que queriam desenvolver diferenciais competitivos para receber público de viagens de incentivo e eventos corporativos. O mercado M.I.C.E. (Meeting, Incentive, Congress e Exhibition).

A partir daí foi um passo natural desejar unir o Marketing de Destino ao Marketing Cultural com Evento. Eu acredito muito nesse caminho para o Brasil criar hots spots turísticos. Não estou inventando nada de novo, mas o Brasil ainda não descobriu esse mix para se desenvolver Destinos turísticos. Hoje ouvimos falar muito em storytelling, contação de estória. Pois bem, o Live Marketing  utiliza muito esse recurso narrativo para facilitar a comunicação e o mesmo pode ser feito para descobrir detalhes interessantes que as localidades possuem, unindo a população local em torno de uma causa, desenvolvimento econômico e social. É dessa forma que transformaremos um local numa atração. O fato é que apesar de precisar de tempo e trabalho, o resultado pode vir com muito menos tempo do que muitos projetos tradicionais de promoção de Destino.

Criar e recriar histórias comoventes, sagas de heróis e amores incondicionais para cativar visitantes é bastante comum no exterior. Muitas localidades chegam a criar inventivas estórias para se transformar em destinos procurados pela produção de um item gastronômico, um brinde criativo, uma construção diferente, um local histórico e até parques temáticos e rotas inteiras de lazer.

Pois vou contar um “case” interessante hoje.

Uma pequena vila ao nordeste do Japão chamada Inakadate era famosa tradicionalmente pela produção de arroz. No entanto, com a mudança de hábito alimentar dos jovens e o êxodo rural para trabalhar nas metrópoles foi esvaziando o local, a produção de arroz começou a declinar e Inakadate começou a entrar em crise por volta do ano 2010. A saída que o governo local encontrou para reverter a situação rapidamente foi criar um projeto proprietário e promover com vigor. E surgiu o projeto cultural que unia agricultura e tecnologia digital em 2014, chamada de Rice Code.

As plantações seriam obras de arte, feitas de diferentes tipos de arroz que trouxeram  seis cores diferentes para seus “quadros” gigantescos que deveriam ser observados do alto de uma torre. Para essa visitação foi criada um calendário de eventos e promoveu uma festa para apreciar as obras de arte durante muitos meses do ano.

A criatividade não parou aí. O turismo trouxe a expansão de outras atividades ao local como hospedagem, gastronomia e gifts próprios do tema e da região além da agricultura. Os visitantes podiam fotografar a obra preferida num passo-a-passo durante o crescimento e postar nas redes sociais e compartilhar com amigos. Cada visitante podia comprar o arroz da obra preferida através de um aplicativo próprio e receber em domicílio quando for a época de colheita.

Já no primeiro ano, a vila recebeu cerca de 250 mil visitantes e foi muito rápida a recuperação da economia acompanhada da revitalização da cidade e surgimento da economia criativa. Hoje até a  estação ferroviária de Inakadate se chama Rice Art Station  e sua população que era de 8.000 cresceu 30 vezes. Vejam mais pelo link: http://nature-barcode.jp/award/.

Em um país continental como Brasil, imaginem quantos cases teríamos em pouco tempo, graças a criatividade, tecnologia e técnica de eventos em prol do desenvolvimento regional, do turismo e da cultura.

É claro que nada do que estou contando aqui vai acontecer de fato se o público local não participar ativamente do processo de criação do produto e acreditar que esse produto vai ser o carro-chefe de sucesso. As ações precisarão ser integradas num plano e desencadeadas de forma que a estória ou história se torne verdadeira e viva, capaz de emocionar e envolver o público visitante, o público local orgulhoso e gerar um resultado de impacto social, cultural e econômico suficientemente grande para dar sustentabilidade financeira e se tornar uma marca do local.

A cada localidade, pequena que seja que visito, vejo essa possibilidade.

Lembro-me quando estive na Vale do Jalapão em 2004 e visitando uma comunidade de mulheres artesãs, conheci o Capim Dourado e sua fantástica aplicabilidade no artesanato que passaria para um outro patamar se unisse os princípios técnicos de Design, Economia Criativa e Comércio Justo, por exemplo, para contemplar uma causa social, uma pegada de sustentabilidade genuína e alcance mundial. Imediatamente pensei numa marca local de negócio social a fim de desenvolver o estímulo e orgulho nas artesãs que assinaria cada artigo feito com um design único e curadoria de faculdade de Desenho Industrial.  Ou mais recentemente, visitando algumas regiões do centro oeste ou Amazônia, imaginei por que é tão difícil termos aqui, empreendimentos como Disney World. Onde a preservação do meio ambiente, da fauna, da flora, da arte, da cultura e o desenvolvimento econômico poderiam estar unidos de forma que todos possam desfrutar momentos de encanto salutar e promover a paz mundial através do turismo.

Eu acredito realmente que enquanto outros países precisam criar artificialmente muitas estórias para contar aos turistas, nós temos aqui uma infinidade de localidades com encantos naturais e de sagas verdadeiras que mesclada ao ritmo que temos na dança, na música, nas cores, no clima, poderão criar o encantamento e a sedução em milhões de pessoas no mundo que andam a procura de paraísos.  

Sonhar um sonho grande imaginando o Evento unindo Cultura e Turismo pode ser o meu sonho de consumo. E se eu puder atuar nesse processo contribuindo, melhor ainda.

Escrito pela acadêmica Elza Tsumori