Afinal, o que vem a ser evento? O ser humano é, por natureza, gregário e social. Daí, por consequência, as diversas reuniões, seja no âmbito familiar, seja no trabalho, seja, enfim, nas promoções feitas com finalidade as mais diversas, inclusive de network, estas geratrizes de negócios no âmbito da da economia, usual na seara do turismo.

O Turismo de Eventos, cada vez mais atraente aos profissionais do ramo, aos visionários do desenvolvimento socioeconômico, vem ganhando musculatura nos planejamentos estratégicos dos gestores públicos e privados do fazer turístico.

Este um mundo ainda a ser mais bem explorado. Vale o registro da extrema importância desse viés do turismo, haja vista os ganhos sociais que incidem sobre uma cidade ou região, de um modo geral, ao país como um todo. O turismo, em si, é um vetor de grande relevância à inclusão social, à geração de empregos, rendas e impostos, injetando meios à consecução de infraestrutura básica à prática do turismo autossustentável, deixando, como legado, o benefício do uso ao nativista, ao cidadão local.

Na gangorra da “alta e baixa estação”, objetivando o fomento das demandas turísticas, a pretendida harmonia entre o “mais e o menos”, nada melhor do que uma política de marketing à cooptação de eventos que possam preencher as lacunas deixadas quando das baixas temporadas. Portanto, uma alternativa importante à redução dos efeitos da sazonalidade.

Um evento tem o poder de movimentar um imenso quantitativo de profissionais durante a sua realização, promovendo uma considerável dinâmica econômica nas cidades que o abriga. É interessante registrar que o turista de eventos é movido a interesses profissionais, mesmo que costume conciliar atividades de trabalho e lazer, tornando-se um enorme potencial de consumo quando do quesito “diversão”. Outra faceta relevante ao Turismo de Eventos é o fato do turista habitualmente retornar, depois, com a família, aos destinos que mais apreciou.

Daí a imperiosa necessidade de colocar em prática uma eficiente atividade de comunicação para que o partícipe satisfaça as suas expectativas não somente ao proveito do evento, mas, também, nas atividades paralelas direcionadas ao lazer e ao entretenimento, bem como as relacionadas ao comércio.

O turismo de evento tem a cultura da troca de recursos. O dinheiro gasto pelo turista é uma permuta com os serviços da praça onde está se dando o evento.

Arrimados nessas ideias, os congressos e os seminários, passam a ser vetores e propulsores do desenvolvimento do turismo regional. Eles estimulam as empresas pós-industriais ao intercâmbio de conhecimento e informações. Destarte, as organizações e os encontros, bem como as convenções, feiras e exposições avultam no pódio de especial relevo à prática do Turismo de Eventos, indutor de uma série de atividades socioeconômicas, ênfase no setor de serviços, na indústria e no comércio em geral.

De acordo com dados oficiais o turismo de eventos vem movimentando quase R$ 15 bilhões/ano, decorrente de uma espiral de crescimento em progressão geométrica dessa modalidade.

O incremento de novas receitas revela também um benefício bastante positivo, uma vez que o turista de negócios tem o gasto médio 3 vezes maior que o turista de lazer (no entorno de US$ 300/dia), consoante dados obtidos junto ao Ministério do Turismo.

A União Brasileira de Promotores de Feiras – Ubrafe – tem divulgado, a cada anos, o calendário de feiras previstas para o nosso país. Neste ano, constou mais de três mil feiras , sendo 40% destas sediadas no sudeste brasileiro.

Na ótica do social, o fazer turístico, em região economicamente subdesenvolvida, pode ofertar meios à criação e manutenção de um nível de atividade econômica, básica e necessária à sobrevivência dos seus residentes, a ponto, até, de evitar a migração de pessoas para as áreas mais desenvolvidas de um país.

Registre-se, alto e em bom som, o quanto os tempos modernos estão suscitando às nossas estratégias uma adequação à tecnologia, ao mundo virtual, à mídia social. Temos que ter as nossas plataformas de acesso fácil aos eventos existentes e de interação de todos os interessados à realidade brasileira, aos nossos calendários de feiras e festivais, de seminários e de congressos, dos shows, das grandes festas a exemplo do carnaval, dos ciclos junino e natalino.

Os megaeventos, uma das vocações de várias regiões brasileiras, levados às praças públicas, aos espaços apropriados, têm um rebatimento impressionante no social da cidade onde acontece. Mexem com toda a cadeia produtiva, fazem girar a catraca da economia. As 56 atividades relacionadas, pelo IBGE, ao turismo, são movimentadas de forma expressiva. Os hotéis, as locadoras de automóveis, os restaurantes e as lanchonetes, os salões de beleza, o comércio como um todo, inclusive os barraqueiros, arrolam subsídios significativos à manutenção das suas lojas, dos seus familiares. São sempre muito bem-vindos, mesmo exigindo estratégias competentes no que concerne ao planejamento, à execução, à segurança, à infraestrutura, aos postos de atendimento relacionados às informações, aos primeiros socorros quando de incidentes ou acidentes ligados à saúde.

Os eventos de turismo passam por um ponto de inflexão. Os seus promotores precisam estar mais atentos à sua eficácia. Algumas feiras tradicionais, no Brasil e no mundo, estão se repetindo, prestando-se mais para as conversas geradas pela convivências, troca de cartões de visitas, estreitamento dos relacionamentos.

Impõe-se a geração de negócios para que estas feiras não se restrinjam ao sublinhado no parágrafo anterior, a meros passeios. O binômio custo-benefício, mormente em épocas de crise, são bem avaliados e pesados pelos empresários que já não se curvam ao fascínio de presenças apenas institucionais. Por isso as rodadas de negócios são muito cobiçadas.

Outros eventos de turismo, por vezes, atendem melhor do que os passeios provocados pelas feiras. Um deles, o roadshow, por exemplo, vem surtindo bons resultados, Os famtours e os fampress, porque dão nitidez aos resultados esperados, são sempre desejados. Nunca esquecer, no jargão do turismo, o follow-up a cada passo dados às estratégias e o feedback sempre importante às avaliações e à preservação do entendimento entre os promotores de eventos e os seus clientes.

É tempo de fazer uma profissão de fé nas expectativas relativas ao tempo vindouro. O Brasil precisa mostrar ao mundo um potencial de retomada do crescimento da economia brasileira; estabilidade econômica; imagem política do Brasil no exterior; maior exposição do País na mídia internacional estimulando a vinda dos grandes eventos, exibindo os valores naturais e culturais do país, além de dados mais serenos quanto à nossa economia, quanto à segurança nos limites do Brasil.

Um evento não pode ser efêmero embora o nome sugira ser apenas um fato pontual. Um evento precisa sobreviver ao seu tempo-espaço. Ser presente e ser perene.

O melhor evento há de ser o seguinte. Esta é a expectativa rasgando perspectivas ao seu futuro. Duvidar, quem há de?

Escrito pelo acadêmico Roberto Pereira