A atividade turística na atualidade pode, sem dúvida, ser considerada um dos eixos mais importantes para a sustentabilidade socioeconômica de um destino. Dentro do setor de turismo no Brasil, o Segmento de Eventos é o que mais gera emprego e renda. Pesquisas nacionais e internacionais apontam a sua pujança e contribuição para a expansão das oportunidades de trabalho e melhoria da distribuição de renda local. Desde 2014, o Brasil atravessa uma séria crise econômica, porém, o nosso setor vem apresentando um excelente desempenho, superando-a, se reinventando e aprendendo a fazer mais com menos. Algumas tipologias de eventos diminuíram de tamanho, porém, no quesito geração de negócios tivemos saltos consideráveis, o que mostra a importância do nosso segmento na geração de riquezas.

 O Segmento de Turismo de Eventos – sinônimo de negócios e de novas oportunidades.

O gráfico acima, fonte da pesquisa Abeoc Brasil de 2017, mostra a divisão de receita dos eventos por região, porém, nos faz refletir sobre o potencial de crescimento que temos nas regiões Norte e Nordeste do pais a partir do desenvolvimento e fortalecimento de suas cadeias produtivas dos mais diversos segmentos. Ainda existem muitos nichos a serem explorados, muitas feiras a serem criadas, gerando assim mais emprego e renda nos diversos munícipios brasileiros a partir de suas riquezas naturais.

No Brasil, o Setor de Eventos possui uma cadeia produtiva forte, formada na sua maioria por pequenas e médias empresas, 90% segundo pesquisa da Abeoc Brasil. Também faz parte deste importante setor produtivo entidades e instituições organizadas, a exemplo da UBRAFE – União Brasileira de Promotores de Feiras, a ABEOC – Associação Brasileira de Empresas de Eventos presente em 11 Estados da Federação, Confederações Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e suas Federações do Comércio com seus sindicatos, a exemplo do SINDIEVENTOS no Ceará e SINDIPROM em SP, Federações das Indústrias, a exemplo da Federação do Ceará, que desenvolve projetos para o fortalecimento da indústria do turismo através do masterplan e rotas estratégicas, que terá como foco principal o turismo de negócios e temos uma Academia Brasileira de Eventos e Turismo, formada por renomados especialistas do Brasil e do Exterior.

Os números do setor mostram a sua dimensão. No Brasil, a indústria de eventos movimenta mais de R$ 67 bilhões por ano, e 7,5 milhões de empregos diretos e indiretos são gerados no país a partir dessa modalidade turística. O turismo de negócios e eventos é o 3° principal motivador da vinda de turistas estrangeiros para o país. R$ 11,42 bilhões foi o valor movimentado em passagens aéreas, diárias de hotel, locação de veículos e serviços no país em 2017. No Brasil, segundo dados da ABRACORP, o turismo de negócios cresceu 6,6% em 2017 frente a 2016. Em 2017, mais de 2 mil feiras foram realizadas, segundo a UBRAFE. Essa modalidade de turismo cresceu 400% de 2005 a 2016 no país. Expectativa de crescimento do Mercado no Brasil: 2019-2021 – 15%. Pesquisas indicam um total de 400 mil conferências e exposições organizadas em todo o mundo a cada ano. Estamos falando de um setor que tem uma transversalidade na sua atuação com os principais setores da economia, uma vez que a indústria, o comércio e o setor de bens e serviços precisam dos eventos para venderem seus produtos e difundirem suas tecnologias.

O gráfico acima, fonte da pesquisa ABEOC BRASIL DE 2017 nos permite fazer algumas Conexões, como por exemplo, que temos no Nordeste um dos mais modernos Centro de Eventos e de Feiras, na Cidade de Fortaleza, Ceará, Aeroportos reformados a partir da Copa e novas concessões, a exemplo do Pinto Martins, em Fortaleza, com FRAPORT gerando uma grande malha aérea nacional e internacional com o HAB aéreo AIR FRANCE/KLM/GOL. Outra importante conexão é a grande oportunidade de crescimento dos eventos nestas Regiões, a partir destes novos empreendimentos, a da criação de estratégias de promoção e articulação com os diversos atores internacionais que surgem neste novo cenário.

ENTIDADES E GOVERNO – UM OLHAR DIFERENCIADO PARA O SETOR DE EVENTOS

Mediante a todo este cenário positivo, o que nos falta para sermos vistos pelos governos e instituições de fomentos? Quais os nossos desafios?

Com um potencial de crescimento de 15% em 2019-2021, segundo pesquisa ABEOC Brasil, os caminhos que precisamos trilhar: participar do Orçamento Geral da União e estarmos presentes e juntos na construção das políticas públicas para o setor (hoje inexistentes), que contemplem recursos para pesquisas, diagnósticos, promoção do setor de eventos no Brasil e no exterior, através de campanhas promocionais que mostrem o potencial do Brasil para atrair eventos nacionais e internacionais, captação de eventos, capacitação dos mais diversos elos desta imensa cadeia produtiva, participação em editais, visando as melhorias na inovação e tecnologia, visto que o setor é formado por 95% de pequenos e médios empresários. Os Estados e munícipios são os maiores beneficiados com os impostos gerados pelos turistas de alto poder aquisitivo recebidos pelos congressos e feiras, porém, parte deste recurso precisa voltar em forma de incentivos para fomentar a captação de novos eventos e promovermos a infraestrutura que o pais dispõe (como centros de eventos, rede hoteleira, malha aérea, dentre outros). Precisamos fazer a máquina da indústria de eventos se agigantar, gerar negócios e mostrarmos ao mundo a dimensão deste setor e o seu potencial para nos tornarmos mais competitivos. É inquestionável a necessidade de uma comunicação focada, de forma que possamos ser assertivos, contabilizando novos degraus de ascensão. De outra forma, continuaremos com os números estagnados.

O poder de alavancagem – para melhorar os números do setor, precisamos de líderes políticos e líderes classistas comprometidos com esta gigante e pujante cadeia produtiva, que de fato coloquem na pauta do dia o Turismo de Eventos e Negócios como fator de desenvolvimento econômico, melhorando assim o posicionamento do Brasil no ranking dos eventos internacionais, ocupando o 16º lugar, segundo a ICCA (International Congress and Convention Association), sendo líder ainda na América do Sul, dados de 2017.

Para conseguirmos avançar na construção de políticas públicas focadas para o nosso segmento de EVENTOS E NEGÓCIOS, precisamos de parlamentares comprometidos com um dos mais importantes setores da economia, que apresenta um PIB equivalente ao do Agronegócio, porém, muito longe de ter a sua representatividade política.

Trabalhemos para que possamos, todos juntos, mudar este cenário.

Escrito pela acadêmica Enid Camara