Este conceito ainda não bem explorado e entendido pelo Estado e pela Iniciativa Privada, vem sendo trabalhado por vários autores na Academia em diferentes áreas do conhecimento incluindo o Turismo. Sua utilização por diferentes campos de estudo originou muitos conflitos e controvérsias, sendo essa diversidade de conceitos, muitas vezes o reflexo da perspectiva disciplinar de cada pesquisador. Na verdade, seu conceito, obriga-nos a uma abordagem inter e transdisciplinar com ampla visão transversal e intersetorial.

Palavras-Chave: Sustentável, Turismo, Governança, Sustentabilidade, Turismo Sustentável

Apesar de ainda não existir um consenso sobre quais as dimensões a serem consideradas para a governança de destinos turísticos, alguns acadêmicos estudiosos conseguiram articular a abordagem das ciências políticas com a de gestão, definindo a governança aos destinos turísticos, como “o estabelecimento e desenvolvimento de regras arranjos institucionais e mecanismos conjuntos para a política, bem como estratégias de negócio, envolvendo todas as instituições e indivíduos ligados ao Setor de Turismo.”

Lisa Ruhanem (2004) na revisão da literatura que realizou, constatou a existência de três características comuns, respectivamente (i) governança não é sinônimo de Governo; (ii) a governança envolve, e implica um menor e compartilhado controle governamental; e (iii) a governança envolve múltiplos atores do setor público, da iniciativa privada e do terceiro.

A governança tem sido amplamente mencionada como uma nova forma de fazer política público-privada, na qual os atores locais podem deliberar e agir com o intuito de atingir objetivos comuns. Por sua vez, atualmente, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aconselha as entidades a adotarem um sistema de governança que permita relações interativas entre os atores num mundo em que existem múltiplos e complexos atores.

Política e Planejamento Estratégico no Desenvolvimento Sustentável do Turismo.

O pensamento estratégico é resultado do estímulo à visão sistêmica e global mundo, com a necessidade de uma filtragem do que é adequado e viável para a sociedade, para a economia e para a cultura do país. Considerando o mercado globalizado, algumas das razões pelas quais deve-se utilizar o planejamento estratégico são: dinâmica do meio ambiente; o planejamento estratégico observa e acompanha essas mudanças e monitora seu desenvolvimento; geração de flexibilidade; intervenção dinâmica; integração interna da empresa; revitalização do espírito organizacional.

O planejamento Estratégico deve apoiar-se na participação social, bem como na equidade, transversalidade institucional, equidade, intersetorialidade e sustentabilidade.

A sustentabilidade é construída a partir de experiências regionais, devendo presidir todas as iniciativas de alavancagem do desenvolvimento.

O planejamento e governanças regionais e locais consolidadas, ofereceriam um novo modelo para as políticas governamentais, com estratégias concretas de intervenção corretivas, baseadas nos postulados interdependentes de eficiência econômica, equidade social e prudência ecológica e cultural em um novo critério de racionalidade social baseado na crítica ao efeito de externalização de custos sócio- ambientais e culturais.

Às vezes políticas de planejamento são formadas devido a necessidade de cooperação e colaboração no planejamento turístico. São estas que nos asseguram a ideia do desenvolvimento turístico sustentável.

As redes são fundamentais para a sobrevivência do Setor de Turismo e dos destinos num mundo cada vez mais globalizado.

Mobilização Social e Participação Comunitária

Na implementação de um Programa de Desenvolvimento do Turismo Sustentável em um determinado território ou destino, é absolutamente vital e antecedente a todas as demais fases do Projeto a consulta à comunidade local.

Os residentes do local podem e precisam manifestar-se e explicar como percebem e se posicionam face aos impactos das iniciativas da governança local ou regional em seus três segmentos: público, privado e do terceiro setor. A mobilização social e participação comunitária são o alicerce de toda a estrutura e futuro sucesso do Programa.

Uma vez que as intervenções individuais e/ou isoladas podem ser ineficazes ou contraproducentes, deve-se privilegiar as ações integradas, pois são as que permitem o desenvolvimento sustentável dos destinos turísticos e asseguram um melhor posicionamento do destino relativamente ao: (i) assegurar um melhor posicionamento do destino relativamente aos concorrentes; (ii) garantir oportunidades para as empresas locais; e (iii) fomentar as interligações entre os diferentes setores de atividade.

Sustentabilidade para a atividade do Turismo

Para operacionalizar o conceito de sustentabilidade nas atividades relacionadas ao turismo, propomos adotar uma estrutura que, depois dos princípios, indica um conjunto de diretrizes com base em dimensões de sustentabilidade (ambiental, social, cultural, econômica política e institucional), aplicadas especialmente às principais atividades do turismo (transporte, alojamento, alimentação recreação lazer e entretenimento no uso dos atrativos).

Tais dimensões podem ser divididas em duas categorias: dimensões-objetivo e dimensões-instrumento. As dimensões-objetivo são: a sustentabilidade ambiental (ecológica); a sustentabilidade social; a sustentabilidade econômica; a sustentabilidade cultural; a sustentabilidade político-institucional.

Já as dimensões-instrumento são: a sustentabilidade mercadológica; a sustentabilidade espacial; a sustentabilidade financeira; a sustentabilidade política; a sustentabilidade administrativa; a sustentabilidade organizacional; a sustentabilidade jurídica.

Escrito pelo acadêmico Prof. Dr. Mario Carlos Beni

Bibliografia

BENI, M.C.: Capacidade Institucional  para a Gestão do Turismo no Brasil. Coletânia de textos e palestras apresentadas no período de 2010-2018___________ (org.): Turismo: planejamento estratégico e capacidade de gestão – desenvolvimento regional, rede de produção e clusters. Barueri, SP: Manole 2012.HALL, M. C. Planejamento turístico, políticas, processos e relacionamentos. São Paulo: Contexto, 2001.HENRIQUES, Márcio Simeone (org). Comunicação e estratégias de mobilização social. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. 2ª reimpressão.

MTUR – Ministério do Turismo. Secretaria de Programas e Desenvolvimento do Turismo. Departamento de Programas e Desenvolvimento do Turismo. Projeto: “Aperfeiçoamento do processo de concepção e implementação de programas regionais de desenvolvimento do turismo, objetivando o alívio da pobreza”. Brasília: MTUR, 2005.RUHANEM, L. Strategic planning for local tourism destinations: an analysis of tourism plans. Tourism and Hospitality Planning & Development, v.1, n.3, p.239-253, 2004.