De vez em quando escuto, em reuniões de relacionamento que procuro fazer com frequência, que os eventos estão mortos; que as pessoas não tem mais tempo para sair da empresa e ir ao encontro de outras; que o ócio é um sonho dos anos 60 e que se trabalha muito mais que naquela época; e que, com a tecnologia digital e os milhares de softwares disponíveis no mercado, hoje dá para resolver todos os relacionamentos por meio dos recursos digitais.

Discordo completamente dessas considerações, já que hoje em dia os maiores eventos corporativos são realizados pelas empresas de tecnologia, as maiores e mais valiosas marcas do mundo. Ou seja, o mercado digital concorda comigo e converge e materializa minha reflexão.

É importante estar no seu office, dentro da sua empresa, e acompanhar as informações relacionadas a performance e metas individuais, às metas do seu time, consequentemente, às metas globais da organização. Mas é ainda mais importante estar em contato com seus clientes e entender qual o significado de cada informação, de cada dado apresentado, e o que está por trás desses números.

Ao longo dos anos em minha carreira profissional, realizando feiras e grandes eventos corporativos, tive o prazer de conviver com célebres empresários e executivos da indústria de produtos e serviços. Pude constatar que aqueles que iam ao front e motivavam suas equipes a fazer o mesmo, e sempre colherem melhores resultados.

É nesse cenário que se inserem os eventos, sejam eles corporativos, feiras de clientes ou de fornecedores, ou eventos proprietários destinados a clientes ou ao público final.

É necessário construir eventos, e é muito importante que eles sejam relevantes, que despertem o interesse naqueles que se destinam.

Para que um eventos seja relevante, o realizador precisa conhecer e entender quem é o público-alvo e, assim, criar um evento especialmente para ele.  Desenvolver um evento único. Para começar, o convidado não quer ser mais participante passivo. Ele quer trocas, quer ser ouvido, quer sair do evento com conexões reais, quer informações para serem colocadas em prática, conteúdo para aprofundar. Ele quer viver intensamente a experiência e tatuá-la em sua mente e no seu coração. Ele quer uma experiência transformadora, que o valorize do início ao fim do evento, e quer lembrar a vida toda dessa agradável e marcante experiência.

Além da alta importância para nós, os eventos, sejam eles de natureza que for, são um grande impulsionador da economia local e regional de qualquer país. Contribuem muito para o desenvolvimento do Turismo e de todo o seu ecossistema.

Além de evoluírem com a tecnologia e se adequarem às inovações, os planejadores de eventos precisam criar experiências reais e surpreendentes. Um local inédito, um novo hotel, uma cidade alternativa, um meio de transporte diferente, uma vivência disruptiva e inusitada.

Sempre quando cria um novo evento, a Promovisão tem a preocupação de encontrar um lugar único e diferenciado que atenda à missão do evento, principalmente por dois fatores importantes: atratividade do público-alvo e aderência da mensagem.

O mercado brasileiro de turismo está evoluindo muito nesse sentido. Dentro da maioria das empresas fornecedoras de turismo e das agências de eventos, hoje  existem áreas e profissionais especializados em atender esta demanda crescente do mercado de eventos, e isso nos ajuda muito a oferecer as melhores opções para nosso clientes quando criamos eventos corporativos.

No momento, precisamos conhecer e compreender o que é necessário para que o mercado cresça como um todo, e para que o Brasil seja um destino de eventos corporativos cobiçado nacional e internacionalmente. O que vemos hoje é que o Brasil perde eventos de empresas nacionais para destinos internacionais, porque nem sempre consegue entregar a qualidade exigida e que, por muitas vezes, é ainda mais cara que destinos estrangeiros.

Como profissionais do ecossistema de eventos e turismo, esperamos que a logística e a infraestrutura de transportes melhore no País. Assim, a gama de possibilidades vai crescer exponencialmente.

Crescendo o número de destinos nacionais e capacitados a receber eventos de qualquer porte, a oferta aumenta e o preço diminui, fazendo com que mais empresas invistam em eventos e explorem as opções que o Brasil oferece.

A qualidade do serviço prestado também precisa ser melhorado em diversos equipamentos. Precisamos alcançar um padrão mínimo de qualidade. Precisamos, através dos órgãos responsáveis, criar a cultura da hospitalidade, do bem atender e do bem servir. Em nosso eventos, cuidadosamente planejados e executados, já vimos todo um trabalho fracassar por atendimento inadequado de hotel, da empresa aérea, do pessoal de transporte local, etc. Ou seja, para evoluirmos, todos precisam se comprometer com a qualidade.

Acredito que os profissionais de eventos e de turismo tem muito a contribuir com ideias e ações para que o setor entre, com a importância que merece, na agenda de crescimento do Brasil. Temos diversas associações  e entidades, como a nossa Academia Brasileira de Eventos e Turismo; a Associação de Marketing Promocional (Ampro); a Associação Latino Americana de Gestores de Viagens e Eventos Corporativos (Alagev); a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC); a Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV); a Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas(Abracorp); a Associação Brasileira  das Operadoras de Turismo (Braztoa), só para citar algumas das organizações que têm profissionais competentes envolvidos, e realizam um excelente trabalho em suas áreas. Isso tudo com muita expertise, conhecimento e informações para pautar os órgãos nacionais de transporte, turismo e desenvolvimento sobre as melhorias que precisam ser feitas no Brasil para o setor crescer de forma sustentável.

Vivemos a realidade dos eventos de turismo todos os dias e conhecemos as melhorias práticas ao redor do mundo, e tenho certeza de que todos os profissionais deste ecossistema terão, assim como eu, o maior prazer em auxiliar os responsáveis por esta agenda, a acelerar o processo. É assim que todos ganham, inclusive o Brasil, com mais divisas e mais empregos gerados neste importante setor de serviços.

Escrito pelo acadêmico Romano Pansera.